Os fósseis de Canelas


A jazida paleontológica de Canelas (freguesia com 864 habitantes) vulgarmente conhecida como a "pedreira do Valério" , situada no percurso de Arouca a Alvarenga, é uma louseira onde ocorrem invertebrados fósseis de numerosas classes: trilobites*, graptólitos*, braquiópodes, bivalves, gastrópodes, cefalópodes, equinodermes, e icnofósseis. O local é especialmente conhecido pelas trilobites gigantes (até 70 cm) de idade ordovícica, várias das quais transitaram já para os melhores museus da Europa.
Actualmente a pedreira (que é explorada pela família Valério há cerca de 100 anos) é alvo de um projecto que visa a preservação e a divulgação dos seus fósseis, nomeadamente através da criação do "Centro Interpretativo e Geológico de Canelas- Arouca" do qual fazem parte um museu no local, trilhos e painéis explicativos da geologia.
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Vista geral da exploração de ardósia da empresa "Ardósias Valério & Figueiredo, Lda." em Canelas, onde ocorrem trilobites de grandes dimensões.
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* Trata-se de duas importantes classes de animais, extintas há cerca de 250 Ma. Uma breve descrição destes fósseis será dada um pouco mais à frente.

As trilobites

(Excelente artigo em geologia.aroucanet.com)

As trilobites eram artrópodes marinhos que viveram exclusivamente nos mares do Paleozóico (542-251 Ma). A maioria vivia em ambientes pouco profundos, arrastando-se pelo fundo, deixando por vezes marcas fossilizadas, denominadas cruzianas (conhecidas também por bilobites), que também se encontram nesta jazida. Em Canelas os fósseis ocorrem num estrato com cerca de 100 m de espessura, de idade Ordovícica,  mais especificamente do Oretaniano inferior, com cerca de 465 Ma. Esse estrato faz parte do sulco Dúrico-Beirão, tendo uma apreciável continuidade geográfica e estando particularmente bem estudado (desde o século XIX)  na região de Valongo.
As principais espécies encontradas em Canelas são: Ectillaenus giganteus, Hungioides boehmicus, Neseuretus avus, Nobiliasaphus delesse, Ogyginus forteyi, Placoparia cambriensis, Retamaspis melendezi, Colpocoryphe thorali conjugens. Algumas destas espécies eram cosmopolitas, outras tinham uma pequenas repartição geográfica. O gigantismo destas trilobites deve-se, em parte (30-40 %), à dilatação associada com a deformação, já que o plano da foliação da ardósia coincide com o da estratificação original.
A importância das trilobites desta jazida foi oficialmente reconhecida em 1999 com a inclusão de uma trilobite no brasão da freguesia de Canelas. Esta é uma das raras representações de fósseis em heráldicas, em todo o mundo.
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Mapa geológico do noroeste de Portugal onde se pode observar o sulco Dúrico-Beirão (alinhamento de cor preta que vai de Esposende até sudeste de Castro Daire).
ImageAs trilobites são classificadas com base nas  características morfológicas. A designação desta classe de artrópodes resulta do seu corpo estar segmentado, longitudinalmente, em três partes. Existe ainda uma nítida divisão transversal, também em três partes (céfalo, tórax e pigidio).
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Nesta trilobite é notório o desenvolvimento dos olhos (de natureza idêntica à dos insectos actuais) e a ornamentação do céfalo. Algumas trilobites, no entanto, eram desprovidas de olhos.
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Repartição no tempo das nove ordens e de algumas das principais  famílias de trilobites.
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O surgimento, o apogeu, o declínio e a extinção das trilobites (escala vertical em milhões de anos).
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Trilobite da espécie Hungioides boehmicus (o fóssil da imagem é, segundo Manuel Valério proprietário da louseira, a nível mundial, provavelmente, o mais perfeito encontrado até hoje). No canto superior esquerdo: heráldica da freguesia de Canelas (Arouca) na qual figura uma trilobite.
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Alguns dos fósseis do Ordovícico da "pedreira do Valério", em Canelas, Arouca. Em cima à esquerda- Trilobite da espécie Ectillaenus giganteus (pormenor de placa com exemplares de 30 cm). Em cima à direita- Cruziana (pistas de locomoção de trilobites no fundo marinho; escala de 1 cm). Em baixo à esquerda- Braquiópodes do género Orthis. (com 5,5 cm de largura). Em baixo à direita- várias colónias de graptólitos.

A nossa terra...

O que poderíamos querer mais do que viver em Canelas?
É certo que não estamos propriamente junto de uma grande cidade, como Lisboa, Porto ou Coimbra, cinema só a cerca de 40 km, para ir a um hospital temos que fazer ainda mais alguns, mas temos o Centro de Saúde (com SAP) a aproximadamente 12 km (o que não é nada mau, comparativamente a outras freguesias do Concelho!)
Parece horrível, não é?
E não acaba por aqui, porque, se nos lembrarmos das tecnologias, ainda é preciso fazer algum esforço para conseguir ter rede de Internet/telemóvel de forma permanente. Mas, acima de tudo... temos paz, harmonia, ar puro e ainda conseguimos viver em dignidade!!! Assim, não é difícil perceber porque é que esta freguesia/aldeia tem cada vez mais habitantes e é uma das localidades preferidas por emigrantes e migrantes para passarem férias ou um simples fim-de-semana.
O Rio que por ali passa, com as suas águas límpidas, leva as angústias e traz a alegria e os sonhos de quem por ali passa, para além da adrenalina que paira no ar quando na sua corrente passam os que se deliciam com o rafting ou com o canyoning.
Todavia, as infraestruturas não são as melhores, antes pelo contrário.... Na verdade, a estrada que percorre o centro da aldeia de Canelas mais parece uma pista de obstáculos e é precisa muita habilidade para conseguir contornar todos os buracos existentes na via. O novo piso, esperado há já mais de um ano continua por se ver, e o prometido mês de Julho está já quase a terminar...
Bem, só nos resta uma coisa... sonhar e esperar pelo dia de amanhã!!!!!

Um lugar para viver...

Canelas é, de facto, um lugar maravilhoso para viver e recarregar baterias, com o nosso Rio Paiva e com todas as paisagens verdes que o rodeiam. De facto, esta aldeia tem um dos mais límpidos e bonitos rios que conheço e está situada entre montes e vales de um verde inigualável. Infelizmente, nem todo este verde de que falo está intacto, já que é frequente encontrar-se espalhado todo o tipo de material, desde reciclável, doméstico ou oxidável. E não é preciso estar muito atento para o encontrar, especialmente para quem for adepto de pedestrianismo. A verdade é que já encontrei sofás, calçado, automóveis e, imaginem, livros!
Como verdadeira amante destes últimos bens referenciados, não percebo como é que alguém se pode separar deles, principalmente no meio da Natureza, sabendo que há dois ecopontos na aldeia e, vá, vários contentores. Porém, as surpresas não ficam por aqui...